Hotelaria 4.0

O melhor do mundo da Tecnologia aplicado à realidade da Hotelaria.

Visualizar antes de decidir: como a visualização dos dados é determinante para a sua compreensão

Publicado a 11 JANEIRO'17, por NUNO ANTÓNIO em Gestão

Ao contrário dos computadores, os humanos não possuem grande capacidade para processar enormes quantidades de dados, especialmente se os mesmos estiverem representados na forma de extensos relatórios com inúmeras linhas e colunas. Contudo, quando a informação é representada visualmente e agregada de alguma forma, o cérebro humano é capaz de rapidamente detetar padrões, compreender tendências e detetar anomalias. Por esta razão, a visualização dos dados é uma característica essencial em qualquer executivo de mente analítica.

A representação dos dados é muito importante na comunicação de resultados, uma vez que permite apresentar de forma sucinta uma larga quantidade de informação, remetendo assim o foco para a substância e não para a tecnologia ou metodologia. Porém, esta representação e visualização dos dados é igualmente importante na fase inicial de análise dos mesmos, enquanto ferramenta descritiva, dando ao analista a oportunidade de explorar os dados e compreendê-los, em diferentes dimensões e níveis de detalhe, fomentando inclusive a deteção de padrões e anomalias. Um bom exemplo de como a visualização de dados é importante é o que Francis Anscombe apresentou num paper científico em 1973.

Neste, o especialista em estatística demonstra que com quatro conjuntos de dados diferentes, aparentemente com estatísticas semelhantes, a sua diversidade é facilmente identificável se os dados forem representados visualmente.

O Quarteto de Anscombe, via Wikipédia

O Quarteto de Anscombe, como é agora vulgarmente conhecido este conjunto de dados, expõe como o ser humano consegue sem esforço ver padrões e contrapontos numa representação gráfica, mas tem dificuldade em fazê-lo quando se apresentam os mesmos dados em tabelas de dados, na forma de relatório.

Por exemplo, num estudo sobre padrões de cancelamento de reservas num hotel, pode facilmente verificar-se que os cancelamentos variam entre os diferentes segmentos de mercado e canais de distribuição. Na imagem abaixo, é possível verificar que quase metade das reservas feitas por agências de viagens ou operadores turísticos, online ou offline, acabam por ser canceladas, enquanto as reservas diretas têm um rácio de cancelamento muito mais baixo.

Com esta breve exposição e demonstração, espero contribuir para o despertar necessário para o uso da visualização de dados na sua análise, sobretudo para aqueles que não consideram esta uma ferramenta de análise essencial. Por isso, se fizer algum tipo de trabalho de análise, por favor use e abuse da representação dos dados para melhor explorar os mesmos e não apenas para os comunicar.

Partilhar:

Sobre o Autor

Nuno António

CTO na ITBase / WareGuest, com um extenso currículo que vai do Ensino Superior à Consultoria de TI e desenvolvimento de software, é perito na análise e estimativa de requisitos para desenvolvimento de aplicações informáticas. Possui um forte grau de especialização em Gestão Hoteleira e Retalho e frequenta atualmente o Doutoramento em Tecnologia e Ciências da Informação.

Artigos Relacionados

3 formas de catapultar a sua marca (e as suas vendas)

“Todo o mundo é composto de mudança” - já o dizia Camões e esta é, pois, a única constante que temos efetivamente ao longo da vida: as coisas mudam. E se isto era verdade no tempo do nosso grande poeta, hoje é-o ainda mais.

29.mar.2017

O Financiamento da Hotelaria 4.0

Tal como qualquer projeto de investimento, em qualquer organização, em qualquer parte do mundo, o desenvolvimento de projetos em Hotelaria 4.0 necessita dos três recursos essenciais: técnicos, humanos e financeiros. Os recursos técnicos para suportar as componentes tecnológicas associadas, os recursos humanos para implementar e operar as soluções desenvolvidas, e os financeiros, que permitam satisfazer os encargos previstos.

22.fev.2017

Socorro, o meu Hotel foi sequestrado!

No meu artigo "Venha de lá o Ciberhoteleiro!", prometi abordar os temas da continuidade de negócio, segurança e privacidade no âmbito da cibersegurança. Temo até que por esta altura já me apelidem de “O paranoico de serviço”. Não porque me queiram menosprezar ou a outros que, como eu, padecem desta condição clínica, mas por parecer corresponder ao comportamento caracterizado por paranoia, com um padrão invasivo de desconfiança e suspeitas generalizadas em relação aos outros, interpretando as suas intenções como malévolas.

15.fev.2017

Categorias

Artigos Recentes

3 formas de catapultar a sua marca (e as suas vendas)

29.mar.2017

Ciberequipa Hoteleira

02.mar.2017

O Financiamento da Hotelaria 4.0

22.fev.2017