Hotelaria 4.0

O melhor do mundo da Tecnologia aplicado à realidade da Hotelaria.

3 formas de catapultar a sua marca (e as suas vendas)

Publicado a 29 MARÇO'17, por TATIANA SIMÕES em Marketing, Gestão

“Todo o mundo é composto de mudança” - já o dizia Camões e esta é, pois, a única constante que temos efetivamente ao longo da vida: as coisas mudam. E se isto era verdade no tempo do nosso grande poeta, hoje é-o ainda mais.
Vivemos uma era de mudanças drásticas e aceleradas que sentimos e vivemos a atravessarem-nos os hábitos e costumes e para as quais, bem ou mal, temos de nos adaptar (e vamos adaptando) seja em termos pessoais ou profissionais. Esta mudança, que se manifesta sobretudo na quantidade e qualidade da informação a que estamos sujeitos diariamente - imensa, frenética e impossível de acompanhar, apreender e aprender no seu todo - afeta a nossa maneira de ver e viver a vida, e a realidade é que o consumidor de hoje já não se comporta da mesma maneira que há uns curtos 5 anos atrás sequer, o que seria falar de há 10 ou 20 anos. 
 

O MERCADO MUDOU

Mudou a forma como se operam os negócios, como se chega à audiência, como é feita a dança da sedução entre o produto / serviço e o seu (potencial) consumidor. Evidentemente existirá sempre alguma velha guarda, mas o mundo digitalizou-se, converteu-se ao poder na ponta dos dedos, e com isso vieram novas oportunidades, mais concorrência, e uma necessidade incontornável de fazer um refresh à forma como se tenta chegar ao público.
 
Posso desde já dizer-lhe que não bastará aconselhá-lo a estar nas redes sociais, a ‘espremer' a informação alojada no seu PMS, a tirar partido dos channel managers, a prestar atenção à sua reputação social e a atuar sobre o feedback do seu público. Francamente, hoje em dia, se ainda não está a fazer tudo isto, é bom que - como se costuma dizer - "dê corda aos sapatos" porque está bem atrasado na corrida.  

 

TEM DE CHEGAR ONDE O SEU PÚBLICO ESTÁ, POR QUEM ELE QUER OUVIR

Por quê? Porque o boca-a-boca (ou passa-a-palavra), apesar de ser a forma de promoção mais antiga do mundo, continuará a ser sempre a mais eficiente. A diferença é que este boca-a-boca mudou. 
 
O consumidor 4.0 só decide gastar o seu dinheiro quando está convencido que o está a fazer bem, escolhendo a melhor opção de acordo com as suas necessidades e motivações - seja porque está na moda e fica bem nas redes sociais, seja porque responde a princípios ou estéticas com que se identifica (é ecológico, é minimal, é inovador, é tradicional, etc), seja porque se adequa à companhia (uma escapada romântica, umas férias em família, um team building, ...), seja porque simplesmente lhe foi feita a recomendação para experimentar. A geração 4.0 pesquisa, compara, avalia e não precisa de muito para rejeitar opções, pelo que é preciso saber cair-lhe nas boas graças rapidamente. Não basta fazer publicidade, até porque a publicidade tradicional tem cada vez menos credibilidade; terá de ser publicidade adaptada a esta nova realidade e mentalidade. 
 

E COMO?

Pode fazê-lo de várias maneiras, mas recomendo-lhe que tenha o Branding da sua marca bem estruturado, para que estas ações assentem em valores sólidos e assim tenham uma maior taxa de sucesso. Deixo-lhe 3 sugestões para considerar na próxima revisão ao seu Plano de Marketing: 
 

#1 - Não menospreze o poder de uma boa #hashtag

A hashtag foi popularizada pelo Twitter e é nada mais nada menos do que um agregador de conteúdo: imagens, vídeos, opiniões... Publicações diversas vão sendo criadas e ao ser-lhes associada uma ou mais hashtags é possível juntar todo o conteúdo e informação gerada sob esse agregador. Isto traz diversas vantagens, como por exemplo: 
  • Permite retirar um feedback muito direto do que andam a dizer do seu hotel / marca por aí, com números concretos associados;

  • Proporciona-lhe conteúdo que pode usar (com a devida autorização) na promoção da sua unidade / marca;

  • Aumenta consideravelmente as suas hipóteses de ser descoberto, encurtando o caminho do público até si;

  • Torna-se mais fácil acompanhar novidades e tendências do seu mercado; 

  • A relação com o público fica mais próxima, porque manifestando este interesse num assunto, vai acabar por acompanhá-lo.
 
As hashtags podem usar-se para assinalar eventos, feriados e celebrações, cultura e lazer, interesses; devem ser relevantes para o seu nicho de mercado (acompanhe as mais populares para poder associá-las às suas publicações quando se justifique); devem estar sempre relacionadas com o conteúdo da publicação, e devem ser simples e fáceis de recordar. Quando não cuidada e controlada, a utilização de hashtags pode acabar por ser contraproducente e comprometer a credibilidade da publicação e até da marca. 
 
Uma boa forma de tirar o máximo proveito desta estratégia é criando uma hashtag que represente a sua marca e que a audiência consiga facilmente identificar. Pode também lançá-la através de um concurso ou movimento, que fique associado à sua marca, e gere o buzz que vai atrair pessoas para as suas redes sociais, e daí para o seu site, contribuindo para a sua popularidade global, aumentando a sua relevância online e, consequentemente, as suas vendas. 
 

#2 - Incentive sonhos e experiências com vídeos

Com modelos tão vastos e acessíveis como o AirBnB, o Homeswapping, o Couchsurfing e sabe-se lá que mais opções continuarão a aparecer nesta economia da partilha em que vivemos, já não basta de forma alguma vender alojamento só por vender alojamento. Pode continuar a fazê-lo, mas não lhe trará diferenciação ou vantagem nenhuma em relação ao mercado. E não querendo ser pessimista, é provável que tenha os seus dias contados se assim se mantiver.
 
O Marketing já não diz respeito ao que faz, mas às histórias que é capaz de contar.” - di-lo Seth Godin, um dos maiores gurus do Marketing moderno, e sim, mais do que alojamentos e camas, é necessário vender experiências e sonhos. É necessário contar histórias e seduzir as pessoas a quererem fazer parte delas. 
 
Pode fazê-lo das mais diversas formas. Uma delas é o vídeo, um veículo cada vez mais poderoso para passar a sua mensagem à audiência. Dada a complexidade da sua composição: imagem + som + música + história, se um vídeo for bem construído consegue tocar o público de uma forma intensa e duradoura. E se for realmente muito bom, pode até tornar-se viral o que catapulta não só a sua marca, mas também os números de todos os seus canais e por certo as suas vendas. 
 
Não é, contudo, fácil criar um bom vídeo, que seja capaz de se tornar viral e que acrescente realmente valor à sua marca, mas é possível. Lembre-se que deve mexer com as emoções das pessoas - a viralidade de qualquer conteúdo é sempre alimentada pela emoção - mas tenha o cuidado de escolher as emoções certas ou a estratégia poderá acabar por virar-se contra si.
 
Convido-o a assistir, a título de exemplo, a uma ação deste género promovida pelo grupo Marriott, que com muito engenho, sensibilidade e sentido de humor conseguiu mostrar os pilares da marca, os seus espaços, o serviço das suas unidades, e no fundo tudo aquilo que o cliente pode esperar:
 
 
A iniciativa foi tão bem-sucedida que já tem segunda e terceira sequela! 
 

#3 - Aposte em Opinion Makers

Recorda-se do que lhe falei sobre chegar ao público onde ele está através de quem ele quer ouvir? Scott Cook defende que “uma marca já não é o que dizemos ao consumidor que ela é - é o que os consumidores dizem uns aos outros” e a verdade é esta, sobretudo se nos colocarmos também no nosso papel de consumidores e analisarmos qualquer situação desse ponto de vista. 
 
Sejam bloggers, vloggers ou figuras públicas, estas pessoas representam audiências fiéis e assíduas às suas plataformas ou redes sociais (ou ambas), maioritariamente construídas de forma orgânica e através de uma entrega e relação muito pessoal que gera empatia e serve de base à confiança. Com largos números de seguidores, para o seu público, aquela pessoa representa um filtro humano que lhe diz o que vale (e não vale) a pena experimentar. São fortes influenciadores de opinião e ação, e essenciais para catapultar marcas. 
 
Esta estratégia é usada (e com muito sucesso) no mundo do turismo, nomeadamente na componente de promoção de destinos. Do ponto de vista da Hotelaria, estando o tópico #lifestyle cada mais em voga, faz todo o sentido apostar nesta vertente. Enquanto porta-vozes, os influenciadores são capazes de apresentar o seu produto / serviço de forma mais pessoal, cuidada, e sobretudo integrada numa história. Vendem a experiência e a ilusão, que no fundo servem de gatilho à audiência para querer replicar o mesmo na sua vida. 
 
 
São muitas as estratégias que pode usar nesta era 4.0. A competitividade pode ter aumentado muito e ser feroz, mas as opções disponíveis são também cada vez mais e felizmente a criatividade não tem limites! Algumas serão mais difíceis de implementar do que outras, mas aposte em conteúdo de valor e conseguirá certamente criar relações fortes com a sua audiência. Tire partido da informação que tem disponível, defina a sua estratégia sobre a mesma, e assista aos resultados a florescer!

 

Sobre o Autor

Tatiana Simões

Com formação em Arte & Design, há 10 anos que se dedica profissionalmente ao Design Gráfico, passando por áreas como a saúde, a educação, a moda e o turismo. Com um gosto especial pela Comunicação no seu todo e interesse também pelo Marketing e as suas nuances (sobretudo criativas), abraçou há 2 anos o assunto tecnologia como Communication & Marketing Manager na ITBase / WareGuest.

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