Hotelaria 4.0

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O Financiamento da Hotelaria 4.0

Publicado a 22 FEVEREIRO'17, por JOÃO ESMERALDO em Inovação, Gestão

Tal como qualquer projeto de investimento, em qualquer organização, em qualquer parte do mundo, o desenvolvimento de projetos em Hotelaria 4.0 necessita dos três recursos essenciais: técnicos, humanos e financeiros. Os recursos técnicos para suportar as componentes tecnológicas associadas, os recursos humanos para implementar e operar as soluções desenvolvidas, e os financeiros, que permitam satisfazer os encargos previstos.
 
Se em relação às necessidades de recursos técnicos e humanos os seus requisitos são específicos de cada projeto e por natureza escassos, é importante desmistificar as dificuldades de obtenção dos recursos financeiros para estes projetos, pois apesar da aparente crise que vivemos, ou se calhar por causa dela, existem em Portugal e na Europa numerosos sistemas de incentivos e outros instrumentos de financiamento, que permitem alavancar ou mesmo suportar na integra projetos de investimento, mitigando desta forma os riscos inerentes. 
 
Assim sendo, é importante conhecer os instrumentos que temos ao nosso dispor. De uma forma naturalmente simplista, podemos dividir os incentivos existentes nas seguintes componentes essenciais:
 

INCENTIVOS FINANCEIROS AO INVESTIMENTO

São essencialmente incentivos diretos ao investimento (produtivo ou não) através de empréstimos bonificados, empréstimos sem juro (incentivos reembolsáveis) ou incentivos a fundo perdido (incentivos não reembolsáveis) permitindo a concretização de projetos inovadores de bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis.
 
São exemplo destes incentivos, a Linha de Apoio à Qualificação da Oferta 2016 (instrumento de crédito bonificado) e os diferentes programas do Portugal 2020, nomeadamente os Sistemas de Incentivos à Inovação Produtiva (investimentos produtivos), e o Sistema de Incentivos Qualificação das PME (investimentos não produtivos).
 

INCENTIVOS FISCAIS AO INVESTIMENTO

Os incentivos fiscais ao investimento são, como o nome indica, incentivos de natureza fiscal, nomeadamente de dedução direta à coleta do IRC dos investimentos efetuados no ano anterior, sendo por isso instrumentos bastante interessantes do ponto de vista de libertação de verbas, versando investimento já efetuado (e não) em projeto, e particularmente pertinentes na época do ano de fecho de contas. 
 
Estes incentivos estão enquadrados no Código Fiscal do Investimento que inclui os Benefícios Fiscais Contratuais ao Investimento Produtivo e o Regime Fiscal de Apoio ao Investimento (RFAI).
 

INCENTIVOS À INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO (I&DT)

Também importante para o financiamento de projetos 4.0 são os incentivos ao IDT. Sendo a Hotelaria 4.0 uma área de conhecimento de ponta, os seus projetos são claramente projetos de desenvolvimento tecnológico, na criação de novos ou melhorados produtos, processos ou sistemas.
 
Aqui também poderemos usufruir de incentivos do Portugal 2020, nomeadamente do Sistema de Incentivos Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (SI I&DT) e diretamente de diferentes programas Europeus, como o SME Instrument do programa Horizon 2020. Também existem Incentivos Fiscais, como o SIFIDE, um crédito fiscal que pode recuperar quase a totalidade dos gastos da empresa em IDT no ano anterior.
 
De salientar, fora do âmbito deste post, a existência de outros instrumentos de financiamento, nomeadamente os Instrumentos Financeiros de capital de risco/quase capital (fundos de venture capital, business angels), tendo em vista tipicamente investimentos em PME, nas fases de criação de empresas e fase de arranque (start-up, seed, early stages).
 
Na industria hoteleira, existe tendência para enquadrar os incentivos à sua operação exclusivamente na componente de investimentos produtivos, mais precisamente na criação de oferta física – leia-se bricks-and-mortar – esquecendo ou ignorando que a nível mundial os crescimentos verdadeiramente espetaculares, no setor, são de empresas que praticamente não apresentam ativos fixos, tais como a Airbnb, mas também a Booking, Uber e muitas outras, que sabem capitalizar como ninguém informação e tecnologia, redefinindo de forma irreversível o espaço competitivo.
 
Assim sendo, os mesmos sistemas de incentivos podem – e em nossa opinião devem – ser canalizados para projetos de Hotelaria 4.0 que acrescentem verdadeiro valor, possibilitem a inovação e posicionem as empresas num contexto competitivo superior.
 
Pode não ter o tempo, recurso a conhecimento ou recursos humanos para perseguir a onda 4.0, mas se a sua desculpa é falta de dinheiro, talvez seja tempo de falar com especialistas!
Sobre o Autor

João Esmeraldo

Engenheiro e MBA, tem dedicado a sua carreira ao desenvolvimento de projetos e à consultoria de gestão, ajudando empresas a alcançar os seus objetivos através de uma abordagem integrada a projetos de investimento (planeamento, financiamento e implementação). Ocupa atualmente na ITBase / WareGuest o cargo de COO.

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